Protocolo de Cuidado em CasaKit completo

Protocolo de Cuidado em Casa

Os quatro
protocolos

Kit completo

Acamado · Pós-operatório · Tratamento oncológico · Fase avançada. A rotina pronta, hora a hora, para cada fase do cuidado.

LUANA EMERICKEnfermeira · COREN-ES 225317Urologia Oncológica · Mestre em Enfermagem · @luanaemerick.enf

Sumário

Neste kit

Este kit reúne os quatro protocolos. Comece pela página Qual é o perfil do seu caso e use o protocolo que corresponde a ele. Quando o caso mudar de fase — de pós-operatório para acamado, de tratamento ativo para fase avançada — passe para o protocolo da nova fase.

O guia “O que fazer quando” acompanha este kit em arquivo separado e responde às situações de crise.

  1. —Como usar este kit
  2. —Qual é o perfil do seu caso
  3. 1Protocolo 1 · Acamado
  4. 2Protocolo 2 · Pós-operatório em casa
  5. 3Protocolo 3 · Em tratamento oncológico
  6. 4Protocolo 4 · Fase avançada
  7. —Contatos importantes

Antes de começar

Como usar este protocolo

Ninguém entrega à família uma rotina. Este protocolo responde à pergunta que se repete todos os dias: como é o meu dia? O que fazer, quantas vezes por dia e em que ordem.

Aviso importante

  • Esta rotina é um organizador de execução. Ela não substitui o plano de cuidados definido pela equipe que acompanha o seu caso, não prescreve medicamento e não garante evolução clínica.
  • Horários são sugestões de sequência e devem ser ajustados à prescrição e à rotina da casa.
  • Em emergência, ligue 192 ou acione a equipe de referência.

Cada protocolo tem seis partes, sempre na mesma ordem:

  1. 1Para quem éO critério objetivo para confirmar que este é o perfil do seu caso.
  2. 2A rotina, hora a horaDo despertar à madrugada, com horário sugerido para cada tarefa.
  3. 3A ordem que não pode ser invertidaAs sequências em que fazer na ordem errada causa dano.
  4. 4O que observar e anotar todo diaA lista fechada deste perfil. Use a ficha semanal no final.
  5. 5Sinais de alertaO que pede contato com a equipe hoje e o que pede ação agora.
  6. 6O que nunca fazerOs erros que mais aparecem neste perfil.
Imprima a rotinaDeixe a página da rotina perto da cama ou na porta da geladeira, onde todos que ajudam no cuidado consigam ver.
Ajuste o horário, não a ordemOs horários são sugestões e se adaptam à prescrição e à casa. A ordem das tarefas é o que não muda.
Anote todo diaA ficha semanal leva à equipe o que aconteceu em casa. Anote mesmo quando tudo correu bem.
Preencha os contatosAntes de precisar, deixe anotados os telefones da equipe na página de contatos.

Kit completo

Qual é o perfil do seu caso

O perfil muda a rotina inteira. Cuidar de um acamado e de alguém em pós-operatório são rotinas opostas: um precisa ser movido na cama a cada duas horas, o outro precisa sair da cama o quanto antes.

Protocolo 1

Acamado

Dependência total ou quase total, por qualquer causa. A rotina gira em torno de quatro coisas: pele, posicionamento, boca e eliminações.

Se ela ainda caminha com apoio e sai da cama várias vezes ao dia, o perfil não é este.

Protocolo 2

Pós-operatório em casa

Recuperação cirúrgica recente, com alta já concedida. A rotina gira em torno de quatro coisas: ferida, dor controlada, mobilização precoce e prevenção de trombose.

Se a pessoa não sai da cama e a previsão é que não saia, o perfil correto é o Acamado.

Protocolo 3

Em tratamento oncológico

Quimioterapia ou radioterapia em curso. A rotina gira em torno de quatro coisas: temperatura, boca, náusea e proteção nos dias de queda de imunidade.

Se o tratamento ativo foi encerrado e o foco passou a ser exclusivamente conforto, o perfil correto é o Fase Avançada.

Protocolo 4

Fase avançada

Cuidado paliativo domiciliar, com foco integral em conforto. A rotina encolhe de propósito. A regra aqui é menos tarefa, mais conforto — e tudo cede diante do desconforto.

Este protocolo não decide nada clinicamente. Ele organiza a execução do que já foi combinado com a equipe.

Protocolo 1

Acamado

Dependência total ou quase total, por qualquer causa

A rotina gira em torno de quatro coisas: pele, posicionamento, boca e eliminações.

1

Para quem é este protocolo

  • A pessoa passa a maior parte do dia na cama e não se levanta sozinha.
  • Precisa de ajuda para mudar de posição, para higiene e, em geral, para se alimentar.
  • Pode ou não estar em tratamento ativo — o que define este perfil é a dependência, não o diagnóstico.

Se ela ainda caminha com apoio e sai da cama várias vezes ao dia, o perfil não é este.

2

A rotina, hora a hora

  1. 06h30Higiene de boca. Checagem de fralda. Mudança de posição: do lado direito para as costas.
  2. 07h30Medicação da manhã no horário fixo, conforme prescrito. Primeira oferta de líquido do dia.
  3. 08h30Banho, no leito ou na cadeira. Inspeção completa da pele durante o banho — este é o único momento do dia em que você vê o corpo inteiro. Secar bem, hidratar, trocar a roupa de cama.
  4. 09h30Posicionar no lado esquerdo. Calcanhares suspensos do colchão com travesseiro sob as panturrilhas. Lençol esticado, sem ruga.
  5. 10h30Oferta de líquido. Higiene de boca.
  6. 11h30Mudança de posição: lado esquerdo para costas.
  7. 12h00Almoço com a pessoa sentada a 90 graus. Colheres pequenas, uma de cada vez. Manter sentada por 30 minutos depois da refeição.
  8. 13h30Mudança de posição: costas para lado direito.
  9. 14h00Janela de maior movimentação do dia. Se houver condição, sentar na poltrona por até uma hora, com os pés apoiados. Na poltrona, mudar a posição a cada hora — sentado o risco de lesão é maior que deitado.
  10. 15h30Oferta de líquido. Higiene de boca. Hidratante labial.
  11. 16h30Mudança de posição. Conferir pontos de apoio: sacro, calcanhares, cotovelos, quadril, orelhas.
  12. 18h00Jantar sentado a 90 graus. Mesma regra do almoço: 30 minutos sentado depois.
  13. 19h30Mudança de posição. Higiene de boca. Hidratante labial e hidratante corporal.
  14. 20h00Medicação da noite no horário fixo, conforme prescrito.
  15. 21h00Preparo da noite: fralda, posição confortável, lençol esticado, luz baixa, campainha ou sino ao alcance da mão de quem fica.
  16. 00h00Mudança de posição e checagem de fralda.
  17. 03h00Mudança de posição e checagem de fralda.
  18. 05h00Mudança de posição e checagem de fralda.

☾ marca os cuidados da noite. Os horários são sugestões de sequência: ajuste à prescrição e à rotina da casa.

3

A ordem que não pode ser invertida

  1. Higiene de boca sempre antes da oferta de líquido, nunca depois. Boca suja contamina o que entra.
  2. Secar completamente antes de hidratar. Hidratante sobre pele úmida macera e abre a barreira.
  3. Inspecionar a pele no mesmo movimento da troca de fralda. Separar as duas tarefas é o que faz a lesão passar despercebida por dias.
  4. Se houver dor à movimentação, a medicação prescrita vem antes do banho e antes da mudança de posição — não depois, quando a pessoa já está sofrendo.
  5. Sentar a 90 graus antes de oferecer qualquer coisa pela boca. Nunca o contrário, nunca com a pessoa sonolenta.
4

O que observar e anotar todo dia

  • Data da última evacuação — anotada todos os dias, mesmo quando evacuou.
  • Urina: volume aproximado, cor, odor e queixa.
  • Pele: estado dos pontos de apoio, com atenção a área avermelhada que não clareia à pressão do dedo.
  • Aceitação alimentar e de líquidos.
  • Dor: nota de 0 a 10 pelo menos duas vezes ao dia. Se não houver fala, observar testa franzida, gemido, agitação e recusa de toque.
  • Como foi a noite: dormiu, acordou quantas vezes, houve agitação.
  • Temperatura, sempre que houver qualquer suspeita.

Registre na ficha semanal, no final deste protocolo.

5

Sinais de alerta deste perfil

Acione a equipe hoje

  • Área avermelhada que não clareia quando você pressiona com o dedo.
  • Três dias sem evacuar.
  • Redução importante da aceitação de água e comida.
  • Sonolência maior que o habitual, mas a pessoa ainda acorda ao chamado.

Acione agora

  • Mais de 8 horas sem urinar.
  • Febre.
  • Não acorda ou não responde ao chamado.
  • Confusão mental de início súbito.
  • Pele aberta, bolha ou tecido escurecido em ponto de apoio.

Em emergência, ligue 192 ou acione a equipe de referência.

6

O que nunca fazer neste perfil

  • Massagear área avermelhada. Massagear tecido em sofrimento aumenta o dano.
  • Usar almofada tipo roda ou argola — ela transfere a pressão para a borda e piora.
  • Manter a cabeceira muito elevada por longos períodos: o corpo escorrega e cisalha a pele do sacro.
  • Deixar lençol com ruga. Ruga de lençol vira lesão.
  • Usar talco, álcool ou receita caseira na pele e em ferida.
  • Oferecer alimento ou líquido com a pessoa deitada ou sonolenta.

Protocolo 1 · Acamado

Ficha semanal de registro

Anote todos os dias, mesmo quando estiver tudo bem. Leve esta ficha às consultas ou envie uma foto para a equipe. Imprima uma cópia por semana.

O que anotarDia 1___/___Dia 2___/___Dia 3___/___Dia 4___/___Dia 5___/___Dia 6___/___Dia 7___/___
Última evacuação (data)
Urina: volume, cor, odor, queixa
Pele: pontos de apoio
Aceitação de comida e líquidos
Dor 0–10 · manhã
Dor 0–10 · tarde/noite
Como foi a noite
Temperatura (se suspeita)

Observações para levar à equipe

Protocolo 2

Pós-operatório em casa

Recuperação cirúrgica recente, com alta já concedida

A rotina gira em torno de quatro coisas: ferida, dor controlada, mobilização precoce e prevenção de trombose.

1

Para quem é este protocolo

  • Cirurgia realizada nos últimos dias ou semanas, com alta hospitalar já concedida.
  • A pessoa tem ferida operatória em cicatrização e orientação de retorno marcada.
  • Consegue, em algum grau, sair da cama — e precisa sair.

Se a pessoa não sai da cama e a previsão é que não saia, o perfil correto é o Acamado.

2

A rotina, hora a hora

  1. 07h00Avaliar a dor antes de qualquer movimento: nota de 0 a 10 ainda deitado. Esse número decide o resto da manhã.
  2. 07h15Medicação da manhã no horário fixo, conforme prescrito. Em pós-operatório, analgesia é horário, não é socorro.
  3. 08h00Primeira saída da cama do dia, em etapas: sentar na beira, pés apoiados no chão, aguardar um minuto, levantar com apoio e com outra pessoa por perto.
  4. 08h30Avaliação da ferida sem abrir o curativo além do que foi orientado. Observar vermelhidão que se espalha, secreção, odor, abertura de ponto e aumento de dor local.
  5. 09h00Café da manhã sentado à mesa, não na cama. Sair da cama para comer já é parte da reabilitação.
  6. 10h00Primeira caminhada curta do dia, dentro de casa, com apoio. Distância pequena e frequente vale mais que uma caminhada longa.
  7. 11h00Exercício de panturrilha: subir e descer a ponta dos pés dez vezes, sentado. Repetir a cada hora em que a pessoa ficar parada.
  8. 12h00Almoço sentado. Porções menores e mais frequentes se o apetite estiver reduzido.
  9. 14h00Segunda caminhada curta. Se houver orientação de meia elástica, conferir se está lisa, sem dobra e sem enrolar na perna.
  10. 15h00Avaliar a dor novamente. Registrar a nota e quantos resgates foram usados até aqui.
  11. 16h00Terceira caminhada curta. Exercício de panturrilha.
  12. 18h00Jantar sentado.
  13. 19h00Quarta caminhada curta, mais leve. Última do dia.
  14. 20h00Medicação da noite no horário fixo, conforme prescrito. Analgesia noturna é o que permite dormir — e dormir é o que permite mobilizar no dia seguinte.
  15. 21h00Posicionamento confortável para a noite, com apoio para a região operada. Água e o que ele precisa ao alcance da mão.

☾ marca os cuidados da noite. Os horários são sugestões de sequência: ajuste à prescrição e à rotina da casa.

3

A ordem que não pode ser invertida

  1. Analgesia antes de mobilizar, sempre. Mobilizar com dor faz a pessoa travar e recusar a próxima caminhada.
  2. Sentar na beira da cama e esperar antes de levantar. Levantar direto do deitado derruba a pressão e causa queda.
  3. Avaliar a ferida antes do banho, não depois — molhada, ela esconde vermelhidão e secreção.
  4. Caminhar antes das refeições principais, não logo depois.
  5. Se a dor impedir a caminhada, a conduta é medicar e tentar de novo — e não suprimir a caminhada do dia.
4

O que observar e anotar todo dia

  • Aspecto da ferida: vermelhidão que se espalha, secreção, odor, calor local, abertura de ponto.
  • Temperatura, uma vez por dia e sempre que houver mal-estar.
  • Dor: nota de 0 a 10 e número de resgates em 24 horas.
  • Panturrilhas: dor em uma só perna, inchaço assimétrico, vermelhidão ou calor localizado.
  • Primeira evacuação após a cirurgia e retorno do padrão intestinal.
  • Volume urinário e primeira micção, principalmente após cirurgia abdominal ou pélvica.
  • Número de caminhadas realizadas no dia.

Registre na ficha semanal, no final deste protocolo.

5

Sinais de alerta deste perfil

Acione a equipe hoje

  • Dor que aumenta em vez de diminuir ao longo dos dias.
  • Vermelhidão ao redor da ferida que está maior do que ontem.
  • Ausência de evacuação por mais de três dias após a cirurgia.
  • Redução importante da aceitação alimentar.

Acione agora

  • Dor em uma única panturrilha, com inchaço ou calor — pede avaliação imediata.
  • Falta de ar súbita ou dor no peito: ligue 192.
  • Febre.
  • Secreção purulenta, odor forte ou abertura de ponto.
  • Impossibilidade de urinar com barriga baixa distendida e dolorosa.

Em emergência, ligue 192 ou acione a equipe de referência.

6

O que nunca fazer neste perfil

  • Aplicar pomada, creme ou receita caseira na ferida.
  • Retirar ponto em casa.
  • Molhar o curativo fora do que foi orientado.
  • Usar faixa ou cinta apertada por conta própria.
  • Passar o dia inteiro na cama por medo de forçar — imobilidade prolongada é o que mais complica pós-operatório.
  • Pular a analgesia porque “hoje está melhor”. Dor controlada é o que sustenta a mobilização.

Protocolo 2 · Pós-operatório em casa

Ficha semanal de registro

Anote todos os dias, mesmo quando estiver tudo bem. Leve esta ficha às consultas ou envie uma foto para a equipe. Imprima uma cópia por semana.

O que anotarDia 1___/___Dia 2___/___Dia 3___/___Dia 4___/___Dia 5___/___Dia 6___/___Dia 7___/___
Ferida: aspecto
Temperatura
Dor 0–10
Resgates em 24 h
Panturrilhas
Evacuação
Urina
Nº de caminhadas

Observações para levar à equipe

Protocolo 3

Em tratamento oncológico

Quimioterapia ou radioterapia em curso

A rotina gira em torno de quatro coisas: temperatura, boca, náusea e proteção nos dias de queda de imunidade.

1

Para quem é este protocolo

  • A pessoa está em ciclos de quimioterapia, em radioterapia ou em ambos.
  • Mantém algum grau de autonomia e vai e volta do serviço de tratamento.
  • A rotina de casa é organizada em função do ciclo, não do dia da semana.

Se o tratamento ativo foi encerrado e o foco passou a ser exclusivamente conforto, o perfil correto é o Fase Avançada.

2

A rotina, hora a hora

  1. 07h00Temperatura ao acordar. Nos dias de maior queda de imunidade — em geral entre o sétimo e o décimo quarto dia após a infusão — medir duas vezes ao dia, sem exceção.
  2. 07h15Inspeção da boca com lanterna: aftas, placas esbranquiçadas, gengiva sangrando, língua com aspecto diferente. A boca é o primeiro lugar onde a mucosite aparece.
  3. 07h30Higiene de boca com escova de cerdas macias. Nada de enxaguante com álcool.
  4. 08h00Antiemético no horário fixo, conforme prescrito, antes do café. Nos primeiros dias pós-infusão, antiemético é horário — não é socorro.
  5. 08h30Café da manhã. Alimentos frios ou em temperatura ambiente passam melhor que comida quente nos dias de náusea.
  6. 10h00Hidratação fracionada: pequenos volumes com frequência, dentro do que a equipe autorizou.
  7. 11h00Cuidado com a pele irradiada, quando houver radioterapia: apenas água e sabão neutro, sem esfregar. Nenhum creme antes da sessão. Roupa de algodão, folgada, sem costura sobre a área. Sem sol na região.
  8. 12h00Almoço. Porções pequenas, mais vezes ao dia.
  9. 14h00Higiene de boca. Hidratação.
  10. 15h00Período de descanso. Nos dias de maior queda de imunidade, evitar visitas de pessoas gripadas ou com qualquer sintoma respiratório, e evitar aglomeração.
  11. 17h00Hidratação. Observar sinais de desidratação: boca muito seca, urina escassa e escura, tontura ao levantar.
  12. 18h00Jantar. Mesma lógica do almoço.
  13. 19h00Temperatura. Registrar com horário.
  14. 20h00Medicação da noite no horário fixo, conforme prescrito. Higiene de boca.
  15. 21h00Registro do dia: temperatura, aceitação, episódios de náusea ou vômito, estado da boca, evacuações, intercorrências.

☾ marca os cuidados da noite. Os horários são sugestões de sequência: ajuste à prescrição e à rotina da casa.

3

A ordem que não pode ser invertida

  1. Antiemético antes da refeição, nunca depois da náusea instalada.
  2. Medir a temperatura antes de concluir que está tudo bem. Em quimioterapia, febre pode ser o único sinal.
  3. Higiene de boca antes de comer, não só depois. Boca com mucosite contamina e dói mais ao receber alimento.
  4. Avisar a equipe antes de dar qualquer antitérmico em dia de quimioterapia. Antitérmico mascara febre, e febre neutropênica é emergência.
  5. Na pele irradiada, limpar e secar sem esfregar — e nenhum produto antes da sessão.
4

O que observar e anotar todo dia

  • Temperatura, com horário anotado. Nos dias de nadir, duas vezes ao dia.
  • Boca: aftas, dor ao engolir, placas, sangramento de gengiva.
  • Náusea e vômito: frequência, horário e relação com a alimentação.
  • Aceitação de comida e de líquido.
  • Evacuações: diarreia volumosa e constipação são ambas relevantes.
  • Pele: irritação, descamação ou ferida na área irradiada.
  • Sinais de sangramento: gengiva, nariz, manchas roxas sem trauma.

Registre na ficha semanal, no final deste protocolo.

5

Sinais de alerta deste perfil

Acione a equipe hoje

  • Aftas que dificultam comer ou beber.
  • Náusea que não cede com o antiemético prescrito.
  • Diarreia por mais de 24 horas.
  • Pele irradiada com irritação que piorou em relação a ontem.
  • Redução importante da ingestão de líquidos.

Acione agora — sem esperar amanhecer

  • Qualquer febre a partir de 37,8 graus em quem fez quimioterapia nos últimos 14 dias. Isso é emergência e exige avaliação imediata.
  • Tremor intenso de corpo inteiro, com ou sem febre medida.
  • Vômito que impede a tomada dos medicamentos.
  • Sangramento que não para com compressão, ou sangue no vômito, nas fezes ou na urina.
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou dificuldade para acordar.
  • Falta de ar.

Em emergência, ligue 192 ou acione a equipe de referência.

6

O que nunca fazer neste perfil

  • Dar antitérmico antes de medir a temperatura e avisar a equipe — ele mascara a febre que precisa ser avaliada.
  • Iniciar antibiótico que sobrou de outro tratamento.
  • Usar enxaguante bucal com álcool.
  • Passar creme, pomada ou qualquer produto não prescrito na área irradiada, e nunca antes da sessão.
  • Receber visita de pessoa com sintoma respiratório nos dias de queda de imunidade.
  • Usar escova de dente de cerdas duras ou fio dental em fase de plaquetas baixas sem orientação.

Protocolo 3 · Em tratamento oncológico

Ficha semanal de registro

Anote todos os dias, mesmo quando estiver tudo bem. Leve esta ficha às consultas ou envie uma foto para a equipe. Imprima uma cópia por semana.

O que anotarDia 1___/___Dia 2___/___Dia 3___/___Dia 4___/___Dia 5___/___Dia 6___/___Dia 7___/___
Dia após a infusão
Temperatura · manhã (hora)
Temperatura · noite (hora)
Boca
Náusea e vômito
Aceitação de comida e líquido
Evacuações
Pele irradiada
Sinais de sangramento

Observações para levar à equipe

Protocolo 4

Fase avançada

Cuidado paliativo domiciliar, com foco integral em conforto

A rotina encolhe de propósito. A regra aqui é menos tarefa, mais conforto — e tudo cede diante do desconforto.

1

Para quem é este protocolo

  • O foco do cuidado passou a ser conforto, controle de sintoma e dignidade.
  • Existe um plano de cuidados combinado com a equipe que acompanha o caso.
  • A pessoa dorme a maior parte do tempo, aceita pouco alimento e se desinteressa progressivamente do ambiente.

Este protocolo não decide nada clinicamente. Ele organiza a execução do que já foi combinado com a equipe.

2

A rotina, hora a hora

  1. Ao acordarAvaliar conforto antes de qualquer tarefa: há dor, há falta de ar, há agitação? Isso define o dia inteiro, não o relógio.
  2. A cada 1 a 2 horasCuidado com a boca: gaze úmida na mucosa, hidratante nos lábios. Este é o conforto que mais importa nesta fase e o mais negligenciado.
  3. A cada 2 horasMudança de posição, respeitando o conforto. Se mudar de posição causa dor evidente, converse com a equipe sobre analgesia prévia ou sobre espaçar o intervalo. Rotina não pode doer mais que o que ela previne.
  4. Horário fixoMedicação de conforto e analgesia conforme prescrito, sem atraso e sem pular. Conforto não se suspende em nenhuma fase.
  5. ManhãHigiene. Se o banho completo cansa mais do que ajuda, higiene parcial no leito resolve. Priorizar sempre: boca, região íntima e inspeção da pele.
  6. Ao longo do diaOferecer líquido e alimento sem insistir. Nesta fase, forçar causa desconforto e risco de aspiração, e não prolonga nem melhora nada.
  7. AmbienteLuz baixa, som baixo, pouca gente no quarto. Menos pessoas e mais presença.
  8. TardeMomento de presença sem tarefa: sentar ao lado, conversar, colocar a música dela, segurar a mão. Isso é parte do protocolo, não é pausa dele.
  9. NoitePreparar o quarto para a noite. Combinar quem fica e quem reveza. Ninguém passa a noite sozinho nesta fase.
  10. Durante a noiteChecagem de conforto, posição e boca. Não acordar para cumprir rotina — ajustar o que incomoda e deixar dormir.
  11. Todo diaRegistrar sintomas, resgates usados e como foi a noite. É esse registro que permite à equipe ajustar o plano de conforto.

☾ marca os cuidados da noite. Os horários são sugestões de sequência: ajuste à prescrição e à rotina da casa.

3

A ordem que não pode ser invertida

  1. Conforto antes de rotina. Se a tarefa aumenta o sofrimento, ela cede — e a equipe é avisada.
  2. Analgesia prescrita antes de qualquer manipulação que cause dor: banho, mudança de posição, troca.
  3. Posicionar de lado antes de tentar qualquer outra coisa quando houver ruído respiratório. Só a posição costuma reduzir muito o som.
  4. Falar com a pessoa antes de tocar nela, mesmo que ela não responda. A audição costuma ser um dos últimos sentidos a se despedir.
  5. Combinar o plano com a equipe antes da fase chegar. Plano de conforto não se improvisa de madrugada.
4

O que observar e anotar todo dia

  • Dor: nota ou sinais indiretos — testa franzida, gemido, agitação, corpo enrijecido, recusa de toque.
  • Respiração: padrão, pausas, presença de ruído.
  • Estado da boca e dos lábios.
  • Pele nos pontos de apoio.
  • Agitação, inquietação ou confusão.
  • Quantos resgates de sintoma foram usados em 24 horas.
  • Eliminações, sem transformar isso em meta a ser atingida.

Registre na ficha semanal, no final deste protocolo.

5

Sinais de alerta deste perfil

Converse com a equipe hoje

  • Dor que não cede com o esquema prescrito.
  • Falta de ar que não melhora com posição e com as medidas de conforto.
  • Agitação ou inquietação importante e persistente.
  • Boca com lesão ou dor evidente.
  • Três ou mais resgates em 24 horas.

Sintoma não controlado não é fase da doença

  • É sinal de que o plano de conforto precisa ser reavaliado. Dor, falta de ar, náusea e agitação têm conduta em qualquer fase.
  • Acionar a equipe nesses casos não é atrapalhar. É a sua parte no plano.

Em emergência, ligue 192 ou acione a equipe de referência.

6

O que nunca fazer neste perfil

  • Aspirar a garganta em casa por conta própria. Aspiração desnecessária machuca e agita.
  • Forçar alimento ou líquido.
  • Suspender analgesia ou medicação de conforto.
  • Falar sobre a pessoa, na frente dela, como se ela não estivesse ali.
  • Encher o quarto de gente.
  • Cumprir rotina acordando quem está dormindo confortavelmente.

Protocolo 4 · Fase avançada

Ficha semanal de registro

Anote todos os dias, mesmo quando estiver tudo bem. Leve esta ficha às consultas ou envie uma foto para a equipe. Imprima uma cópia por semana.

O que anotarDia 1___/___Dia 2___/___Dia 3___/___Dia 4___/___Dia 5___/___Dia 6___/___Dia 7___/___
Dor (nota ou sinais)
Respiração
Boca e lábios
Pele: pontos de apoio
Agitação ou confusão
Resgates em 24 h
Eliminações
Como foi a noite

Observações para levar à equipe

Protocolo 4 · Fase avançada

Plano de conforto combinado com a equipe

Plano de conforto não se improvisa de madrugada. Preencha esta página junto com a equipe que acompanha o caso, antes de precisar dela.

O que fazer se houver dor
O que fazer se houver falta de ar
O que fazer se houver agitação
O que fazer se houver náusea
Quem acionar à noite
Quem fica e quem reveza

Outras orientações da equipe

Deixe preenchido

Contatos importantes

Emergência — SAMU192
Equipe que acompanha o caso
Telefone da equipe
Serviço de tratamento / hospital
Telefone do serviço
Unidade de saúde mais próxima
Outro contato de confiança
Convênio / nº da carteirinha

Dados da pessoa cuidada

Nome
Diagnóstico principal
Alergias

O hospital trata a doença. A casa é onde o cuidado acontece — e ninguém treina a família para isso.

Sobre a autora

Luana Emerick

Enfermeira · COREN-ES 225317

Urologia Oncológica · Mestre em Enfermagem. Atua na assistência e na docência em enfermagem. Escreveu este protocolo para quem cuida em casa e precisa de uma rotina clara: o que fazer, quantas vezes por dia e em que ordem.

O seu caso precisa de um plano individual?

Este protocolo organiza a rotina por perfil. Quando o caso pede um plano feito para ele, o caminho é o acompanhamento domiciliar com a Luana.

@luanaemerick.enf